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Títulos enganadores da imprensa portuguesa

por Tempos Modernos, em 17.05.16

No Diário de Notícias fala-se das Parcerias Público Privadas hospitalares que "[t]odos elogiam e querem manter". O tonitruante "Todos" parece mais um desejo pessoal de quem fez o título do que acerto jornalístico - coisa que não é de certeza. Não é acerto e para ser jornalismo ainda há que haver um bocadinho mais de esforço.

 

Vai-se a ler e, logo à primeira linha, se percebe que o Bloco de esquerda está contra. Cita-se uma entrevista de Catarina Martins onde a dirigente bloquista defende o fim das PPP da Saúde. Começa o ruidoso "Todos" a ficar amputado de partes. No DIário de Notícias ouviram-se ainda antigos responsáveis e criadores da coisa que a elogiaram, pois pudera.

 

O ministro da tutela, que não se quis pronunciar, parece posto no saco dos apoiantes das PPP da Saúde, com argumentos que pecam por ingenuidade ou dificuldades hermenêuticas da jornalista. De declarações antigas do ministro tiram-se conclusões. Tramado é que estas são suficientemente ambíguas e abertas para reflectirem uma posição oposta com a vontade de não mergulhar o Governo em polémicas desnecessárias. A jornalista não chega lá. Usa as proposições como fechadas, quando as devia usar abertas a várias possibilidades, tal como foram expressadas pelo governante.

 

O trabalho pouco cuidadoso prossegue. Correia de Campos é citado. Diz que as "PPP na saúde nunca foram objeto de litígio nem de crítica quanto ao seu valor e à sua execução porque elas foram geridas sempre com enorme rigor". A jornalista esquece-se de fazer o contraditório das palavras de Correia de Campos. Era o que faltava que o ex-ministro de Guterres e de Sócrates e um dos pais da coisa fizesse a crítica da própria acção. E o contraditório nem era difícil. Bastava uma pesquisa no Google, para achar uma entre muitas críticas.

 

Na sua contabilidade do "Todos", a jornalista ouviu também um representante do Sindicato dos Médicos Independentes. O clínico disse que os médicos não se assumem nem contra nem a favor do modelo. Afirmou que "trabalham independentemente do titular do meio de produção, o fundamental é a garantia da qualidade das condições de trabalho e consolidação da carreira médica". Difícil ver nisto um elogio ou a vontade de manter as PPP.

 

Por fim - mas podia ter ficado no segundo parágrafo deste postado - se no artigo se alargasse o escopo dos que foram ouvidos, também se acharia oposições do PCP e do PEV às PPP na Saúde. Mas, depois, o artigo não era a mesma coisa, pois não? Já eram três a pedir-lhes o fim de modo explícito. Ainda o "Todos" do título ficava menos justificado do que aquilo que já não está.

 

 

 

 

 

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publicado às 15:56

Discursos com método

por Tempos Modernos, em 21.08.11

Em discurso frequente, a claque do PS na blogosfera e nos jornais vinca sempre que não se pode contar com o PCP nem com o BE para governar.

 

Em entrevista ao jornal i, Correia de Campos aproveita para dizer mal da sua sucessora no Ministério da Saúde, e, principalmente, queixar-se de Manuel Alegre e de António Arnaut que se hão-de converter "em coveiros do Serviço Nacional de Saúde".

 

Mas não se esquece de elogiar Paulo Macedo, o ministro da Saúde escolhido por Passos Coelho. Em vez de embarcarem em críticas acríticas aos partidos mais à esquerda, talvez os apoiantes socialistas devessem prestar outra atenção ao destinos dos elogios  feitos por responsáveis e ex-responsáveis do PS. Intelectualmente era mais honesto quando chegasse a altura de discutir alianças.

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publicado às 15:59

 

 

 

 

Quem o ouve defender na televisão os cortes que fez na Saúde, defender mais medidas restritivas; e a extinção de hospitais, maternidades e urgências deverá deve espantar-se com o sentido de voto do ex-ministro do PS, Parlamento Europeu ?

 

A dignidade do digníssimo representante do Povo é mais importante do que o bem-estar das populações.

 

Correia de Campos substituiu Manuela Arcanjo à frente do Ministério da Saúde. A então ministra demitiu-se, entre outros motivos, por recusar o caminho de entrega à gestão privada do Serviço Nacional de Saúde, que o Governo liderado por António Guterres queria iniciar (e iniciou com Correia de Campos).

 

(Na Foto: Uma recente posição política do ex-ministro de Guterres e de Sócrates noticiada pelo jornal i) 

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publicado às 10:58


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