28
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 15:28link do post | comentar

A minha amiga é negra

 

"A dona Antónia vive em Lisboa, tem 93 anos. Ah, com ela eu nunca me permitiria a palavra "negra", nem agora, quando a palavra foi conquistada pela Francisca. Não que a ofendesse, claro. Ela era, assumia e praticava aquilo que era na nossa cidade - negra, o que não era mera circunstância, era condição. Mas para mim a dona Antónia é a senhora, ponto. Às vezes, agora, em Lisboa, quando ia recordar com o João ou falar com a Francisca, eu puxava pelo antigamente dela. Eu deixava ir a conversa, como a dona Antónia a faz, com silêncios, olhos tristes e boca amarga, mas estava sempre a vê-la a entregar-nos o embrulho dos bolos para levarmos à prisão."

 

Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

 

 

Saramago

 

"Encontrava-me eu com [Saramago] mais tarde na Feira de Frankfurt [...] quando anunciaram que o Nobel lhe fora concedido. Acorremos a abraçá-lo, e apesar do muro de colegas e leitores que o saudavam, consegui entregar--lhe uma rosa vermelha, isto porque cravos revolucionários dificilmente se compram na cidade--escritório da Europa. E nessa noite, reunindo alguns do nosso ofício num jantarzinho alemão, Agustina Bessa-Luís teve o gesto lindíssimo de mandar abrir uma garrafa de Don Perignon, homenageando assim o triunfador que porventura haverá morrido sem que esta nobre delicadeza lhe chegasse ao conhecimento."

 

Mário Cláudio, Diário de Notícias

 

 

 


29
Dez 12
publicado por Tempos Modernos, às 19:40link do post | comentar | ver comentários (1)

Há uns dias, Vasco Pulido Valente voltou à carga com a sua ideia infundada de que não existe cultura em Portugal.

 

Rezam as más línguas que o homem não sai de casa. Quem produz cultura, garante que nunca o viu numa sala de teatro, em exposições.

 

Isso não o impede de opinar. Nesse texto, publicado no Público, Pulido Valente garante que não existe Cinema em Portugal.

 

Bem pode Miguel Gomes, por exemplo, ter vencido vários prémios, estrear filmes em 46 salas francesas, ou ter um dos seus filmes escolhido como um dos melhores de 2012 pelos Cahiers du Cinéma ou pela Sight & Sound.

 

Que interessa isso ao homem que por acaso escreveu o argumento de O Delfim, de Fernando Lopes, uma das muitas obras que prova a existência de Cinema em Portugal?

 

Vasco Pulido Valente, sempre com o amor-próprio patologicamente em baixo, é tão amargamente cioso da sua visão pessimista e elitista do país que nem a si próprio se poupa.

 


19
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 17:39link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Foto: ionline.pt)

 

O escritor que transformava o jornalismo.


10
Ago 12
publicado por Tempos Modernos, às 21:58link do post | comentar | ver comentários (1)

Exemplar e bastante útil para consumo interno a crónica que Ferreira Fernandes escreveu hoje, no Diário de Notícias, a propósito da cobertura jornalística e opinativa da prestação dos atletas portugueses nos jogos olímpicos.

 

É que o jornal também tem para lá um colaborador bastante lido e disputado - prova viva de que a mediocridade abjecta compensa - que ainda esta semana dissertou de modo indigente sobre os resultados nacionais em Londres 2012 e noutras olimpíadas.

 

O tipo caiu em graça sem nunca ter tido gracinha nenhuma e não o linco. Se a ASAE do velho Nunes passasse por cá ainda me fechava o blogue.


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