01
Out 17
publicado por Tempos Modernos, às 09:56link do post | comentar

Sempre preocupado com os custos da democracia, o Correio da Manhã "revela", como se não fosse público e estivesse no maior secretismo, quanto irá ganhar cada presidente de Câmara.

 

Pelos jornais, blogues e redes sociais multiplicam-se os comentários contra o dia de reflexão pré-eleitoral. Como se da existência desse dia viesse algum mal ao mundo, ao país, ao civismo, à cidadania.


12
Out 13
publicado por Tempos Modernos, às 09:46link do post | comentar

"E porquê? É simples. A intenção deles não é defender a liberdade e a informação. Nada. Pretendem tão-somente melhorar as condições da manipulação e do negócio.


O que está já na cloaca desta galinha de ovos de oiro - para eles - é uma alteração às leis eleitorais TODAS, restringindo o acesso à informação plural, colocando tudo nas mãos do negócio e da capacidade dos mais fortes, dar mais rédea solta à comédia de maus costumes das sondagens e, pièce de résistance, já se fala em acabar com o dia de reflexão: vai na cambulhada da extinção de feriados e tira-se mais um dia em que o cidadão ande entregue a si próprio."

 

Nota: a introdução de quebra de parágrafo é minha.


29
Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 16:17link do post | comentar

Com a opinião pública terraplanada pelo boicote das estações televisivas, pelos oficiais do espectáculo mediático, pelos jornais que dizem que a lei diz o que não diz, com o tiro de partida dado por Passos Coelho, a nas últimas semanas tão pedida alteração da lei da cobertura jornalística eleitoral conta, desde ontem, com o alto patrocínio do inadjectivável Cavaco.

 

Mas, afinal, o que diz a lei?

 

No Artigo 49º - Comunicação Social – alínea 1 refere que “[o]s órgãos de comunicação social que façam a cobertura da campanha eleitoral devem dar um tratamento jornalístico não discriminatório às diversas candidaturas”

 

Suscita dúvidas? A mim não suscitou. Como a lei é de 2001 e já foi aplicada nas eleições locais de 2005 e de 2009, em princípio não deveria implicar divergências interpretativas. Mas um grupo poderoso de jornalistas resolveu opor-se a esta lei que garante o pluralismo.

 

Directores de informação alegam terem surgido interpretações "posições mais restritivas" e que “não é humana e tecnicamente possível” dar o mesmo destaque a todas as candidaturas.

 

Mas que disse realmente e desta vez o presidente da CNE sobre o artigo em causa?

 

Que “[o]nde as televisões forem, onde puderem ir, pois que não podem ir a todos os círculos eleitorais, como é evidente, mas onde forem devem dar um tratamento não discriminatório”.

 

Que interesses servem estes jornalistas? O da informação não é de certeza. E quer Cavaco, quer Passos Coelho, com as responsabilidades que lhes advêm dos cargos Executivos que ocupam, já colheram a, em nada democrática, vontade de alteração da lei da cobertura eleitoral que directores dos canais televisivos e de algumas rádios semearam.

 


28
Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 21:26link do post | comentar

Alguém arranjou maneira de pôr o Público a noticiar hoje, dia de reflexão eleitoral, que em Bruxelas se prepara um segundo resgate para Portugal.

 

Confesso não saber que efeito terá a notícia plantada em primeira página.

 

Do meu ponto de vista, um segundo resgate em curso prejudicaria a actual gestão nacional. Mas também me parece que a actual gestão nacional acredita que pregar sustos aos portugueses convence a maioria dos eleitores a não se meterem em grandes mudanças.


publicado por Tempos Modernos, às 21:23link do post | comentar

Estou em pulgas. A SIC tem na calha os inamovíveis e imparciais Marques Mendes e António Vitorino para comentar amanhã os resultados das autárquicas. Mais uma vez, uma aposta de gabarito.

 


publicado por Tempos Modernos, às 10:38link do post | comentar

(Fonte: arepublicano.blogspot.pt)

 

Este post anda para ser escrito desde dia 16. Nesse dia, já em fim de artigo, com origem na Lusa, dera com repetição de declarações de presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre a cobertura jornalística das autárquicas.

 

“Fernando Costa Santos reafirmou a interpretação da lei do tratamento jornalístico que deve ser dado às diversas candidaturas, que é de 2010: deve ser mantido o princípio de igual tratamento e oportunidade.


«Onde as televisões forem, onde puderem ir, pois que não podem ir a todos os círculos eleitorais, como é evidente, mas onde forem devem dar um tratamento não discriminatório» às diferentes candidaturas, defendeu.”

 

Grosso modo, dizia-se aquilo que já aqui tinha sido dito: que absolutamente nada obrigava a que fosse feita a cobertura jornalística das 308 autarquias, conforme haviam propalado, histéricos, centros de poder da comunicação social.

 

Esta interpretação entra em evidente colisão com o ponto de vista convertido em boicote dos três canais televisivos. E, ao contrário do que se passou com as direcções de informação da RTP, SIC e TVI, quem aqui tinha chegado a essa conclusão tinha sido um jornalista formado em engenharia, que nunca teve o apreço das chefias, nem sequer dos pares, mas sem qualquer auxílio de gabinetes jurídicos. Apenas com um entendimento muito diferente do que é o dever de isenção e pluralismo e do que é jornalismo e a obrigação de informar.

 

Claro que entra também em óbvio confronto com o apelo à desobediência civil de prestigiados jornalistas da praça. Uns com um passado lustroso (e profissionalmente vantajoso) de confronto pessoal com um primeiro-ministro; outros com uma mão-cheia de livros publicados - quando eu só tenho um, a meias, e, ainda por cima, embora o tema até o facilitasse, sem embarcar em escândalos próprios de coscuvilheiras.

 

A campanha intoxicante da comunicação social contra a lei da cobertura jornalística das eleições tem como origem a tresleitura de um simples artigo, o 49º. Pouco interessa que o artigo não diga o que tanta gente de responsabilidade diz que diz. O que exigem é a mudança da lei toda, embora se saiba bem quem lucrará com isso. E não será o leitor, nem o espectador. Um editor de televisão até escreveu sem confirmar e sem contraditório que a lei remontava aos tempos de um dos governos do general, quando afinal foi produzida em 2001.

 

No dia 17, embora ainda na véspera a Lusa tivesse transcrito as declarações de Fernando Costa Santos, presidente da CNE transcritas acima, prosseguia a desinformação aos leitores.

 

No Público, em “Novo membro da CNE eleito por maioria, p. 12, escreveu-se que “os três canais de televisão […] decidiram não acompanhar as candidaturas locais, mas apenas noticiai a participação dos líderes nacionais na campanha autárquica com o argumento de que a CNE exigia igualdade de tratamento para todas as candidaturas para todas os candidatos.Na passada semana, o presidente da CNE, Fernando Costa Santos, reiterou a posição daquele órgão, dizendo que «as candidaturas têm todo o direito de serem ouvidas pelas televisões»”.

 

O pior é que faltava acrescentar o que Costa Santos dissera mais:

 

«Onde as televisões forem, onde puderem ir, pois que não podem ir a todos os círculos eleitorais, como é evidente, mas onde forem devem dar um tratamento não discriminatório»

 

Transcrever a totalidade das declarações tornava falsa a notícia que tanta comunicação social tem tentado fazer passar. Afinal, já vários dirigentes partidários se chegaram à frente, na última semana, defendendo a mudança da lei que não precisa para nada de ser mudada. O artigo 49º não obriga a que se faça a campanha nos 308 municípios. Alegando a liberdade de informar, órgãos de comunicação e alguns dos seus profissionais activos afunilam a escolha para o lado que lhes interessa. Semeiam menos pluralismo, menos democracia, menos isenção. Mais propaganda, mas menos jornalismo.

 


14
Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 21:38link do post | comentar

Em 2002, na redação onde então parava e estagiava, tinha por minha conta os pelouros da CDU e do BE. Por esta altura, Setembro, o Bloco ia fazer a rentrée. Era aliás o último dos partidos com assento parlamentar a fazê-la.

 

Não me recordo do motivo, mas nesse dia estávamos sem editor. Quando o membro da direcção temporariamente com nossa tutela perguntou o que é que havia de assuntos de agenda, referi-lhe o regresso de férias do Bloco de Esquerda.

 

Respondeu-me que o Bloco já tinha tido a sua reentrée quando, pouco mais de uma semana antes, alguém do partido tinha defendido um qualquer nível de despenalização das drogas. "Como é que não terão ficado milhares de mães pelo país fora?", perguntou-me.

 

E não fizemos a rentrée do BE.


publicado por Tempos Modernos, às 14:40link do post | comentar

"O «critério jornalístico» é tão-somente aquilo que é decidido por quem tem poder de dizer que é «critério jornalístico», sem ter de se justificar: é uma espécie de carisma recebido não de uma língua de fogo descida dos céus mas de uma reconfortante carícia do patrão no cachaço.


O mais das vezes são razões de emergência comercial ou de planos de conveniência económica para negócios que nem sequer precisam de ter que ver com a subsistência do órgão de informação.


«É o mercado! É o mercado», esganiçava-se há dias um propulsionado jovem multicomentarista político, para se pronunciar sobre a cobertura das eleições, como se escolher representantes fosse uma espécie de lota de dizer «chui»".


Nota: A separação por parágrafos é minha.


13
Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 21:26link do post | comentar

 

Volta não volta regressa um certo discurso de uns ainda mais certos, mas confusos, arautos da liberdade de imprensa.

 

Há os que por muitas e frenéticas justificações que carreiem e em que se desdobrem não se livram das acusações de beneficiar o Governo enquanto demonstram falta de qualidades e vocação para estar à frente de um serviço público de informação.

 

Há também os que torturam ideias, com incorrecções e ligeireza. Os que se reclamam, arrogam e presumem de uma qualquer superioridade na classe.

 

Supreendentes são algumas aparentes rendições ao complexo corporativo-mediático, se calhar suficientemente satisfeitas com as próprias quotas de notoriedade.

 

As mesmas estações que obtiveram a concessão de frequências públicas convergem na recusa em prestar serviços a que se comprometeram. Falta de meios, dizem elas, quando são às mãos cheias os repórteres enviados para qualquer evento futebolístico ou se perdem minutos e meios preciosos a cobrir banalidades como o galo de Resende.

 

Claro que as arruadas nada informam. Nada se perde por as televisões não as acompanharem. Claro que os meios dos órgãos de informação não são infinitos, nem conseguem chegar a todo o lado. Claro que muitas questões têm apenas interesse local. Mas, por muito que se aleguem outros motivos, os boicotes dos canais televisivos nacionais à cobertura jornalística das autárquicas justificam-se mais por preguiça intelectual, má gestão dos meios disponíveis e espírito corporativo.

 

A mero título de exemplo, distribuídas pelos três canais abertos que costumam entre si combinar a emissão de debates, podiam passar-se reportagens temáticas sobre as capitais de distrito e maiores cidades das regiões autónomas. Fazer o mesmo com umas quantas autarquias mais sensíveis ou de resultados mais imprevisíveis. A lei - que data de 2001 (pdf) e não do PREC, como algumas almas bastante mal informadas fazem passar - permite-o: o articulado é suficientemente aberto a interpretações que não forcem à cobertura da totalidade dos 308 concelhos. As direcções de informação optaram por esticar a corda e deitar fora o bebé com a água do banho

 

Sobre este assunto, salva-se a posição do Sindicato dos Jornalistas. Ao menos por lá percebe-se que são os cidadãos que têm Direito à Informação e que a classe apenas existe para servir e salvaguardar este direito. Os jornalistas não existem para arrogantemente se armarem em cão com pulgas. Não existem para atropelar pluralismo e democracia em nome de valores que passam no essencial pelo que alguns - com seus critérios aboslutamente pessoais - garantem ser o mercado mediático.



Nota: o título deste post foi alterado e alguns parágrafos foram reescritos.


04
Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 09:14link do post | comentar | ver comentários (1)

"Paulo Ferreira, director de informação da estação pública, diz que «não é um partido que diz à redacção da RTP que políticos devem ser entrevistados"

 

Antes das eleições autárquicas, o canal televisivo cuja informação é dirigida por Paulo Ferreira, vindo da direcção do Jornal de Negócios, entrevistará apenas Pedro Passos Coelho. Deste modo, recusa entrevistar os outros dirigentes partidários com assento parlamentar, tal como sugerido por Seguro.

 


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