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A Bola de hoje tem como manchete "Rafa mais perto do FC Porto". Já o Record tem como manchete "Rafa mais perto do Benfica".
Quem se trama é o leitor, que fica por informar com as notícias divergentes dadas pelos dois jornais. Mas quem ganha com estas manchetes? Os clubes de destino, o Sporting Clube de Braga, o jogador, o empresário do jogador?
Uma questão é obvia. Ao mostrar rivalidades de dois clubes na corrida pelo mesmo jogador, melhoram-lhe o preço.
O caso das viagens pagas pela Galp também traz dividendos divergentes. Se serve à oposição, também serviu à petrolífera pois fragiliza um contendor no diferendo fiscal com o Estado.
Curioso, que os alinhamentos noticiosos e as primeiras páginas dos jornais de hoje já não guardem referências directas* ao caso das viagens de governantes à vista de toda a gente e pagas pela Galp.
Ou os actores do PSD e do CDS-PP foram de férias ou o novo emprego petrolífero de Paulo Portas (e os incêndios florestais) lembrou-os de que correm o risco de sair chamuscados desta guerra. A ver se se contêm mais uns dias ou se não resistem, que a coisa tem potencial.
* A propósito do novo emprego de Portas, o jornal i fala de nova legislação do PS acerca de transparência
Pelo que representa de uma certa atitude cultural, o caso é grave e os comportamentos dos três governantes não são admissíveis.
No entanto, quando li o título "Quero quando não posso e não quero quando posso", julguei que Francisco Louçã se referia à situação.
Afinal não. Quem identifica um certo discurso de modo claro é o autor do blogue O Jumento com o título "Putas velhas armadas em virgens puritanas."
Aproveitando o articulado usado hoje - por uma jornalista sempre opiniosa e pouco dada ao exercício do contraditório - numa entrevista conduzida a meias: serão senhores "de um percurso e uma coerência peculiares".
Todos sabemos como não existe nada mais bem distribuído do que o bom-senso. Pelo menos desde Descartes, que o escreveu no Discurso do Método, obra estudada na adolescência pela maioria dos que fizeram o secundário na área de Humanísticas. Admite-se que muitos não devem ter percebido a ironia.
Antes deste jornalista falar, no mesmo canal, um outro, Nicolau Santos, mais inteligente e recomendável, que é injusto associar ao primeiro, falava da falta de bom-senso dos governantes que aceitaram viajar a expensas da Galp ao Euro 2016.
"Basta ter bom senso para se saber que há coisas que não se podem aceitar de todo."
Como o Diabo de Passos Coelho, o bom-senso dominou outras peças do noticiário.
Primeiro, falaram dos banhistas que marcam de lugares na praia de Armação de Pera, deixando os pertences no areal desde o dia anterior de modo antecipando-se a outros. "Não havendo enquadramento legal ou edital de praia que impeça casos como o dos chapéus de sol que pernoitam fica o apelo da autoridade marítima, Haja bom-senso."
Depois, as notícias saltaram para as salas de espectáculo: "Aquele momento em que chega ao cinema e há uma mensagem que avisa, por favor, desligue o seu telemóvel, por pirncipio, por lei ou por ou simples bom-senso todos sabem que é mesmo para desligar ou tirar o som."
Bom-senso que basta, dizia Nicolau Santos. Sim, mas é o mesmo bom-senso que recomendaria que dezenas e dezenas de veraneantes não reservassem lugar na praia - borrifando-se para os direitos dos outros. Exactamente, o mesmo bom-senso que nos garante que nunca fomos incomodados por gente a atender o telemóvel no cinema ou a ler e enviar SMS.
BE e PCP tomaram posição acerca das viagens de Rocha Andrade ao Euro 2016 pagas pela Galp.
O CDS-PP considerou ensurdecedor o silêncio dos partidos de esquerda que apoiam o Governo.
A crítica dos partidos da esquerda já saiu, mas não é suficiente para o grosso dos leitores que comentam a notícia no Expresso digital.
Os do CDS-PP precipitaram-se propositadamente. Já sabiam que BE e PCP iriam reagir como reagiram, mas enquanto o pau vai e vem sempre mantêm o Governo em lume brando
Quanto aos comentadores da edição online do jornal, a questão é de outra natureza. Há neles uma grande falta de capacidade hermenêutica e de análise.
Só analfabetos políticos esperam que um partido apoie uma determinada solução governativa e ao mesmo tempo estique em público, e de modo cego, a corda das críticas a um parceiro.
Um tipo fica satisfeito com a vitória no Euro 2016, mas custa-lhe a entender tanto discurso a explicar o que os franceses e o resto da Europa e do mundo finalmente já viram - o que é meterem-se com uma nação de poetas, com um país de marinheiros.
Sem memória futebolística, reparo agora que Éder marcou no ano passado o golo que permitiu interromper 39 anos sem vitórias frente à Itália.
Agora foi ele que interrompeu uma dolorosa série de vitórias francesa. É uma espécie de Santo Guerreiro surgido apenas contra os dragões da maldade da selecção portuguesa.
Em tempos, um colega do Técnico, antigo federado de Andebol, recusava o desporto como escola de virtudes.
Nos treinos, não lhe tinham faltado ensinamentos acerca do modo de anular o adversário com violência dissimulada - uma mão puxando-lhe a camisola, uma cotovelada no lugar certo. Manhas várias, pois.
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