Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Fracassos diplomáticos

por Tempos Modernos, em 13.06.12

 

Ninguém ligou muito à coisa mas Portugal levou recentemente dois bofetões diplomáticos de peso.

 

Um por conta de Paulo Portas, quando após mobilizar meios militares de peso, assustar e deslocar populações, viu o país ser afastado das negociações pós-golpe na Guiné Bissau e a CPLP substituída pela CEDEAO nas negociações para procurar uma solução.

 

Em ano trágico, o apagado e ausente Paulo Portas não deixará nas Necessidades a boa imagem que, apesar dos submarinos, deixou na Defesa.

 

O outro bofetão, correu por conta de Cavaco que foi comemorar a Dili os dez anos da independência de Timor-Leste.

 

Além da falta de gosto e de tacto protocolar e diplomático de ir para as comemorações dos outros lamentar-lhes a pobreza, ainda ouviu da boca do presidente Taur Matan Ruak que o português deveria passar a ser ensinado como língua estrangeira.

 

O facto é tanto mais insólito quanto Cavaco andou por lá chamando a atenção para a importância do ensino do português.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:02

Em algumas zonas de maioria balanta da Guiné Bissau já se manda os portugueses irem para casa, garantiu fonte bem informada ao Tempos Modernos.

 

E os sentimentos locais em relação a Angola e à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa não são melhores.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:10

A pátria deles (reescrito com nota)

por Tempos Modernos, em 21.04.12

Aqui há uns anos, durante um curso de segurança e defesa para jornalistas, no Instituto de Defesa Nacional, falei um bocado sobre política de língua portuguesa com um antigo responsável governamental socialista.

 

Não havia ali uma ideia sobre o assunto, tirando a vaga intenção de construir uns sites e assim.

 

Há muito que a Espanha percebeu a importância do tema. A França também e até mesmo a Alemanha, cujo idioma só se fala na Europa, tem uma atenção ao Goethe Institut sem paralelo em Portugal ou no Brasil. Affonso Romano de Sant'Anna, recentemente, em depoimento ao Jornal de Letras, declarava que, apesar dos 200 milhões de falantes, o português é um dialecto.

 

Nos últimos anos, numa opção pessoal que tem mais de emocional que de racional, milhares de portugueses têm aprofundado e certificado o seu conhecimento de espanhol, idioma quase gémeo, cuja leitura e compreensão oral se tornam quase imediatas com escasso convívio. Não são as ligeiras diferenças sintáticas e os falsos amigos que justificam a dimensão do investimento. Nos níveis iniciais, então, vale a pena comparar os ritmos de entendimento de um português e do falante de outro idioma, a mais que justificarem um regime de ensino diferenciado e com menos etapas.

 

No que toca a prémios, a entrega do Cervantes é aguardada com expectativa pelo mundo intelectual. A percepção do Camões - e da sua evidente utilidade - é tão reduzida que na comunicação social mainstream em português chega a ter mais impacto a entrega do PT Literatura. E o próprio nome da coisa não é consensual entre as entidades portuguesas e brasileiras que o financiam. No portal do Ministério da Cultura brasileiro chega mesmo a chamar-se-lhe mesmo Prémio Luís de Camões.

 

 

Mas que fazer quando são os próprios portugueses, alguns deles com evidentes responsabilidades de Estado, que insistem em mostrar os seus dotes para falar estrangeiro em qualquer sítio onde se encontrem? Sampaio, Cavaco, Guterres, Durão Barroso, Sócrates, Passos Coelho, chegam a sítios pejados de tradutores-intépretes e preferem expressar-se na língua dos outros ou numa língua terceira.

 

O caso da Guiné voltou a evidenciá-lo. Nas Nações Unidas, o habitualmente patriótico Paulo Portas optou pelo inglês. Declarações em português ficaram por conta de um angolano, representante de uma potência regional que parece já ter percebido melhor que os seus irmãos mais velhos a verdadeira importância de uma política de língua.

 

Nota: Pelos vistos, , no seu discurso, Paulo Portas ainda fez uma perninha em crioulo. O que quer dizer que percebe a importância do uso da língua.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:42

As asas da borboleta ou a campainha do mandarim

por Tempos Modernos, em 19.04.12

 

A ligeireza populista com que nas feiras Paulo Portas se faz apanhar pelas câmaras de televisão pode terimpacto internacional.

 

Desaparecido ao longo de meses nas bolamas dos Negócios Estrangeiros, o ministro reapareceu para se mostrar a fazer figura.

 

Evidenciou a imagem de estadista de pulso que gosta de fazer passar. Sempre faz esquecer o seu papel essencial como produtor de frases de efeito.

 

A vaidade de Portas é preocupante quando os assuntos são delicados. A realidade comprova a análise, Demasiadas vezes e com demasiada força.

 

Na Guiné Bissau, o anúncio tonitruante da activação de uma Força de Intervenção Rápida Portuguesa não terá ajudado à eficácia de uma evacuação de portugueses.

 

Mas conseguiu lançar uma vaga de pânico entre os guineenses. Assustados com um desembarque português, parte da população deslocou-se da capital.

Portas deve ter relembrado os tempos d'O Independente.

 

Mais uma vez um sound bite seu conseguiu causar estragos. Só que a existência de deslocados é um dos mais preocupantes e mortíferos fenómenos das guerras e conflitos africanos.

 

Entretanto, no terreno, e como de costume, a situação parece ter-se resolvido por si. Tal como das outras vezes em que não se ouviu falar dos militares portugueses.

 

Em Bissau, nunca se sabe muito nem quem manda, nem quem age, nem com que motivações. Quanto mais nas Necessidades.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D