28
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 13:02link do post | comentar | ver comentários (1)

O excesso de voluntarismo histriónico de Paulo Portas bem podia conter-se dentro de portas.

 

À solta no Pequeno Jogo diplomático mantém tiques inaproveitáveis. E de consequências trágicas.

 

Mobilizar uma navio de guerra para acorrer ao golpe de Estado de Abril, na Guiné-Bissau, provocou na ocasião a debandada de populações com receio de uma invasão pela antiga potência colonial e tropa da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).

 

Desde então, instalou-se a má-vontade para com os portugueses. Num país onde o rumor e o boato têm papel importante, tem um significado óbvio exibir fotografias do alegado comandante do ataque a um quartel em Bissau na semana passada envolto na bandeira portuguesa. A resistência a um inventado inimigo externo ajuda a cerrar fileiras. E a justificar barbaridades e golpes anti-democráticos em que a política guineense tem sido fértil.

 

Em simultâneo, fica em risco a comunidade portuguesa que o ministro dos Negócios Estrangeiros disse querer defender com a mobilização da fragata. Foi Portas que os pôs a jeito e lhes ofereceu o pescoço.

 

Nas últimas semanas, o ministro dos Negócios Estrangeiros tem tentado fazer-se a um futuro na política nacional. Se não for numa coligação com o PSD, poderá ser numa coligação com o PS. Mas a este nível, a irreponsabilidade e o aventureirismo deviam pagar-se caros.


29
Abr 12
publicado por Tempos Modernos, às 15:04link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Num gesto inédito várias organizações não governamentais (ONG) a actuar na Guiné-Bissau alertam para o agravamento da situação humanitária naquele país africano na sequência de crise aberta no dia 12 de Abril. Além de condenarem o golpe de Estado, apelam à cooperação dos actores nacionais e internacionais e na resolução da situação através do diálogo.

 

Reunidas entre os dias 25 e 27 de Abril, 31 ONG, a que entretanto se juntaram mais duas, receiam que o agravar da situação esteja "a provocar escassez e subida dos preços dos bens essenciais, deslocação de pessoas à procura de segurança fora da capital com implicações em termos de educação e saúde pública, num momento em que se aproxima a época das chuvas, com alto risco de cólera e de outras epidemias."

 


 

 

 

Para ler o comunicado na Íntegra:

 

«Posicionamento de um conjunto de ONGs Nacionais e Internacionais na Guiné-Bissau face ao Golpe de Estado de 12 de Abril de 2012 

 

Reunido entre os dias 25-27 de Abril do ano em curso, um conjunto de Organizações Não-Governamentais (ONGs) nacionais e internacionais preocupadas com a situação político-militar desencadeada pelo golpe de Estado de 12 de Abril,


Preocupadas com as implicações e consequências políticas, sociais e económicas desta ação, nomeadamente no que concerne ao funcionamento das instituições e à segurança nacional, alimentar e sanitária das populações em geral,


Reconhecendo que o agravar desta situação está a provocar escassez e subida dos preços dos bens essenciais, deslocação de pessoas à procura de segurança fora da capital com implicações em termos de educação e saúde pública, num momento em que se aproxima a época das chuvas, com alto risco de cólera e de outras epidemias,


Considerando que com o deflagrar desta situação as condições de vida das comunidades foram também agravadas pelas limitações da capacidade de atuação das ONGs,


Considerando que esta conjuntura está a levar ao isolamento internacional do país,


Considerando que a continuidade ou agudização da situação atual levará à instauração de uma situação de emergência que colocará em causa os esforços de desenvolvimento em curso e resultará num retrocesso face aos progressos já alcançados a este nível,


As ONGs nacionais e internacionais signatárias decidem:


1. Condenar o golpe de Estado,


2. Apelar à libertação imediata de todos os detidos na sequência deste processo, ao fim das perseguições políticas, e ao respeito pelos direitos humanos, enfatizando os direitos civis e políticos,


3. Apelar à restituição da legalidade e da ordem constitucional,


4. Apelar aos atores nacionais e internacionais envolvidos na resolução desta situação a se engajarem na procura de soluções duráveis, através do diálogo,


5. Reafirmar o seu compromisso e empenho no trabalho de promoção do desenvolvimento nas respetivas comunidades, em prol do bem-estar do País,


6. Apelar às ONGs que concertem e coordenem os seus esforços, quer em termos regionais quer temáticos, de forma a minimizar os riscos e impactos potenciados com esta situação político-militar,


7. Apelar às comunidades e à população em geral para que conservem a paz, a coesão social e a cultura de solidariedade que caracteriza o povo guineense, mesmo em situações mais complexas e de crise,

 

8. Apelar aos operadores económicos nacionais e internacionais para que sejam solidários com a população, evitando a subida de preços dos produtos da primeira necessidade enquanto a situação prevaleça,

 

9. Apelar aos media nacionais e internacionais para que transmitam uma imagem mais abrangente do país, refletindo a realidade das populações e a sua voz,

 

10. Apelar à Comunidade Internacional para que continue a apoiar os esforços na promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento na Guiné-Bissau.

 

Feito em Bissau, aos vinte e sete dias de Abril de 2012.
As organizações

 

1. ACEP
2. ACPP
3. AD
4. ADIM
5. AIDA
6. AIFA/PALOP
7. AJPCT
8. ALTERNAG
9. AMIC
10. CIDAC
11. CIDEAL
12. COPE
13. DIVUTEC
14. EAPP
15. EMI
16. ENGIM
17. FUDEN
18. IEPALA
19. IMVF
20. KAFO
21. LGDH
22. MEDICUSMUNDI
23. MON‐CU‐MON

24. NADEL
25. PAZ Y DESARROLLO
26. PLAN GUINEA BISSAU
27. RASALAO
28. RENARC
29. SNV
30. TINIGUENA
31. VIDA
32. ESSOR
33. MANITESE»


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