07
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 15:20link do post | comentar

Problemas dos referendos num par de respostas do escritor Ian McEwan, em entrevista ao Diário de Notícias:

“David Cameron fez uma aposta com o referendo, achando que fixaria uma posição definitiva em relação à União Europeia por várias gerações. Só que falhou! […] o referendo do brexit foi um plebiscito hitleriano com uma margem de 4% […] o referendo apenas tirou a fotografia ao sentimento nacional de um único dia, obrigando a rever um tratado e a absorver a energia nacional noutra direção. O que nos sairá caro.”

Os referendos sobre o futuro de um país tendem a amarrar os povos a posições definitivas, ao contrário das eleições que permitem mudar políticas de quatro em quatro anos. Não dá para saírem e voltarem a entrar quando se fartarem. E terá sido nisso que Cameron pensou. Segundo o escritor, o ex-primeiro-ministo britânico acreditava que através do referendo amarraria sucessivas gerações de governantes à União Europeia.


27
Jun 16
publicado por Tempos Modernos, às 15:05link do post | comentar

Bruxelas quer impor sanções a Portugal e Espanha por causa do falhanço do seu próprio plano de ajustamento - um regime de empobrecimento e de tranferência de riqueza que é soberana, económica e socialmente criminoso.

 

Logo no seguimento do Brexit, ameaçaram o Reino Unido com retaliações e deixaram claro ser eles os donos da Europa. De modo cobarde, esperaram pelas eleições em Espanha - não fossem prejudicar o PP, partido que lhes fez os fretes.

 

Oito anos de crise espalhada e ainda não perceberam nada da Europa que criaram nem das consequências da hostilidade, humilhações e ressentimentos que teimam em cultivar. Se têm mesmo vontade de manter o projecto de pé, não se nota muito.

 

O referendo proposto ontem por Catarina Martins na convenção do Bloco de Esquerda, pode não ter cobertura constitucional, mas possivelmente já antecipava a notícia desta segunda-feira. Alguma coisa terá de fazer-se. E se a coisa não é reformável por dentro, bem se pode criar algo de limpo e asseado ao lado.


26
Jun 16
publicado por Tempos Modernos, às 13:01link do post | comentar

Pelo menos no discurso, Paulo Rangel chegou a ultrapassar pela esquerda um candidato do PS ao parlamento europeu. E venceu Vital Moreira. Depois disso lá acertou agulhas e nos últimos anos tornou-se um político desinteressante e demagogo.

 

Anteontem, na TVI24, justificava a bondade da reunião conjunta dos ministros dos negócios seis países fundadores da CEE. Que têm todo o direito de se encontrar e discutir o Brexit entre eles, dizia.

 

Para justificar a atitude dos seis países europeus que se acham mais europeus que os outros países europeus, Rangel até se lembrou de sugerir uns encontros portugueses com os estados atlantistas da União Europeia.

 

Embora o  modelo sugerido pelo euro-deputaddo do PSD fosse mais o dos contactos diplomáticos que os de um encontro clubístico, serviu-lhe a coisa para justificar a exclusivista reunião dos seis auto-denominados donos da Europa.

 

Perante a crise provocada pelo Brexit, meia dúzia de países e os seus capatazes embarcam na retaliação e no acentuar das divisões internas de um corpo mais que doente. Fuga para a frente, pela enésima vez. Perante exigências de que o Reino Unido saia depressa, que outras conclusões tirararam os ministros dos negócios estrangeiros dos seis (Alemanha, França, Itália e Benelux)?

 

"Não deixarão ninguém tirar-nos a nossa Europa", disse o ministro dos negócios estrangeiros alemão.

 

O uso do possessivo não os recomenda a ninguém. Mas há quem alinhe cegamente. Paulo Rangel junta à estridência, a incapacidade para entender os problemas da Europa. A indiferença (e até o apreço) à humilhação dos povos e o cultivar instrumental do ajojar da soberania - os fins justificam os meios - fá-lo justificar o injustificável. É dessa massa que o grosso dos poíticos europeus é feita. Não perceberam nada, nem vão perceber.

 

Como, no mesmo programa da TVI 24, o comunista João Oliveira respondia a Paulo Rangel, "é verdade que os seis países têm o direito de fazer as reuniões que quiserem. Mas os outros também têm o direito de tirar as suas ilações".

 

E, já agora, alguém acredita que perante tão evidente cerrar fileiras, os outros estados e povos europeus não começarão a confirmar algumas ideias disruptivas acerca dos interesses, desígnios e vontades destes voluntariososos directórios e dos seus defensores?

 

 


27
Ago 13
publicado por Tempos Modernos, às 20:34link do post | comentar

 

(Fonte: nrpcacine.blogspot.pt)

 

Com tanto apetite espanhol por Gibraltar, não se percebe muito bem por onde andarão os amigos de Olivença.

 

Ainda por cima, Gibraltar foi dado pelos espanhóis aos ingleses enquanto a localidade agora espanhola ficou de ser devolvida há um ror de anos.

 

Ao menos sempre distraía.


22
Jul 13
publicado por Tempos Modernos, às 22:10link do post | comentar

 

(Foto: talkdisney.com)

 

Ainda sem nome conhecido, o nascimento de Guilherme VI, Carlos IV, Eduardo IX, Jorge VII, Jaime III ou Henrique IX vai servindo para entreter as primeiras páginas dos jornais e fazer esquecer a crise.


12
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 08:28link do post | comentar | ver comentários (2)

Há dias, Manuel Maria Carrilho cascou forte e feio nas elites europeias. Delas disse o Ministro da Cultura (nunca mais houve nenhum, pelo que fica mesmo em caixa alta e por antonomásia) que "nada previram a tempo. Nada diagnosticaram com lucidez. Nada propuseram com realismo. Nada concretizaram com eficácia". Talvez escaldado pela má imprensa desta vez deixou de lado o quarto poder. Convém não provocar a fera.

 

Mas essa mesma crítica assenta como uma luva às elites jornalísticas, os poderes na imprensa. Desde que na passada semana Cameron emperrou mais um processo da construção europeia em curso (desde Maastricht), nos jornais, censuras é que não têm faltado. São dos mesmos que, por causa de outros tratados, no passado amoestaram os Países Baixos ou a Irlanda por não estarem afinados com o futuro, forçando referendos e enchendo jornais de editoriais zangados.

 

Hoje, no Diário de Notícias, Leonídio Paulo Ferreira começa o seu comentário com uma citação do Sim, Senhor Ministro que também já usei aqui. "Cameron recebeu os aplausos dos tablóides londrinos, ficou muito mal visto no resto da Europa. O francês Le Monde titulou mesmo o fim da União Europeia a 27.", escreveu. Se os tablóides, coisa para a populaça, aplaudem e o referencial Le Monde aplaude então Cameron não tem razão. Tenho poucas certezas quanto a isso.

 

O Reino Unido não é flor que se cheire, mas o actual Eixo França-Alemanha também tem trazido pouco de bom à Europa. Depois, estou longe de achar que as maiorias têm sempre razão (olháí o Governo actual... ), mas a larga maioria do povo que, em democracia, elegeu Cameron até apoia a decisão do líder conservador. E, por outro lado, existem forças políticas com ideias diferentes da conjuntural hegemonia neo-liberal europeia.

 

Bem podem editorialistas, comentadores e jornalistas atacar o primeiro-ministro britânico. Ao longo destes anos todos, as elites da comunicação social "nada previram a tempo. Nada diagnosticaram com lucidez. Nada propuseram com realismo. Nada concretizaram com eficácia". 

 

Cameron é o espaço para pensar, contra factos consumados. E, já agora, de modo pluralista, sem preconceitos, exclusões ou ideias feitas. Infelizmente, receia-se o pior. Antes, com tempo, editorialistas, comentadores e jornalistas não o fizeram. A Europa que tanto louvaram prometeu mel e maná. O que tinha para dar era de natureza muito diferente. Não bastará ler o DN, de hoje, para o confirmar (aqui, aqui, aqui ou aqui)?

 

 

 

 

 

 


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