18
Set 17
publicado por Tempos Modernos, às 17:12link do post | comentar

Estava convencido de que estes já tinham posto de parte a conversa d'Os miseráveis que paguem a crise.

 

Dois anos depois de terem saído do Governo continuam sem perceber onde estão as prioridades sociais e das coisas a fiscalizar.

 

E ainda recuperam o modelo sonso-suicida usado por Passos Coelho em Pedrógão Grande: o de que foi alguém que lhes falou no assunto.


27
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:52link do post | comentar

Os incêndios florestais em Portugal trazem sempre alguns tópicos populistas de discussão.

 

Primeiro, surge a ideia peregrina de lançar os incendiários às chamas. Já a ouvi da boca da mesma pessoa que lançava beatas de cigarro pela janela do carro e que se zangava por lhe chamarem a atenção.

 

Depois, fala-se dos desempregados e dos beneficiários do rendimento de inserção que devem se postos a limpar matas. Não ocorre aos proponentes que a falta de limpeza das florestas portuguesas também decorre das poupanças obtidas com o fim dos guardas florestais, atirados para a GNR, e até dos cantoneiros da antiga JAE. Entre a criação de empregos ligados à floresta e o forçar desempregados e pobres a limpar as matas há sempre uns quantos a preferir a segunda opção.

 

Por fim, outro tópico recorrente é o do uso dos militares no combate aos incêndios. Se há quem queira aproveitar desempregados e beneficiários do rendimento mínimo em trabalhos de limpeza de mata para o qual não têm vocação nem treino, é natural existir quem queira desviar as Forças Armadas daquilo para que elas servem e para o que são treinados.

 

Isto, embora, em caso de necessidade, as Forças Armadas possam e devam apoiar os bombeiros e a protecção civil. Como ainda agora se viu claramente na Madeira. A Força Aérea até poderá usar horas de voo em treino de ataque a incêndio. Durante o Verão o Exército pode e deve fazer treino de campo e patrulhas nas matas. A arma de Engenharia pode e deve abrir picadas e estradas corta-fogos. 

 

Mas se calhar, sem treino específico, os militares do Exército apenas serão aproveitáveis como auxiliares, na retaguarda dos bombeiros, e nas situações mais dramáticas. Não se substituem a forças de combate a incêndios bem treinadas e bem equipadas. Mas não é disso que se trata, o pressuposto desses críticos (e, por um variado conjunto de motivos, há jornalistas entre os mais excitados pelas chamas) é que as Forças Armadas gastam dinheiro e não fazem nada, tal como os desempregados e os beneficiários do rendimento mínimo. Entre a opção de planear e ordenar para evitar catástrofes e emergências, há sempre uns quantos que preferem improvisar.

 

 

 

 

 

 


07
Nov 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:05link do post | comentar | ver comentários (4)

 

 

Dar de comer a quem tem fome é uma obra meritória. Isabel Jonet não está à altura dela. Não estava antes ao sugerir trabalho em troca do Rendimento Social de Inserção, de forma explícita ou implícita, não está quando desculpa a austeridade. Nem ontem quando voltou à carga na SIC-Notícias com propostas na mesma linha doutrinária.

 

Isabel Jonet é uma figura saturnina. Em ciclo vicioso, alimenta-se dos filhos que as suas ideias políticas criam e que difunde a partir do palanque legitimador do Banco Alimentar.

 

Em 1994, após uma temporada no sector financeiro, em Bruxelas, interrompeu o percurso profissional para regressar a Portugal com o marido e acompanhar os estudos dos filhos. De acordo com entrada enciclopédica, a que já ganhou direito, foi então, com mais tempo livre, que decidiu entrar como voluntária para o Banco Alimentar Contra a Fome, a cuja presidência chegou entretanto.

 

O acompanhamento que pôde e teve a possibilidade de dar aos próprios filhos nega-o aos filhos de outras mães. As suas concepções ideológicas empurram para o trabalho beneficiárias do rendimento social de inserção. Mães que, ao contrário de Isabel Jonet, não têm onde deixar os filhos nem meios para lhes pagar os infantários e as creches.

 

Um destes dias arrisca-se a deixar-se empurrar para uma candidatura a Belém, como já se leu em caixas de comentários online. É o tipo de figura, saído do fundamentalismo católico-caritativo-demagógico, que encontra fácil receptividade: cansei-me de a  criticar sozinho na última redacção por onde passei. E, no entanto, quanto mais abre a boca mais seguro estou da minha razão.

 

Nota: Este post já estava escrito há vário meses mas perdera a oportunidade de publicação. Sabia-se que mais cedo que tarde viria a tornar-se útil. Regressa-se agora a ele ao notar pela blogosfera - aqui e aqui, por exemplo - que Isabel Jonet não larga o proselitismo.

 

* da 1ª Carta aos Coríntios, São Paulo. 1 Cor 13,4-6.


24
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:09link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 (Foto: dn.pt)

 

Baixar o subsídio de desemprego e cortar o Rendimento Social de Inserção e o Complemento para Idosos são um corte de despesas. No fundo, são a resposta previsível à insistência do CDS-PP na necessidade de cortar nas despesas em vez de subir os impostos.

 

Tal como como a Taxa Social Única, será Pedro Mota Soares, antigo secretário-geral dos populares, a executar estas medidas. Medidas cuja elaboração terá de ter passado por ele. Paulo Portas não pode fazer de conta que o seu partido nada tem a ver com elas.

 

Se Paulo Portas fosse o génio político que se julga, teria deixado a pasta da Solidariedade para o PSD. Era previsível que se chegasse aqui. E não era preciso ouvir os comunistas e bloquistas. Bastava ler Krugman e outros prémios Nobel da economia.


21
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:14link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

(Foto: rtp.pt)

 

Pega como faísca em palha seca a ideia de que é virtuoso e da maior justiça forçar os beneficiários do rendimento social de inserção (RSI) a trabalhar em troca das comparticipações que recebem do Estado.

 

Daí a pôr os desempregados a limpar mata vai um salto. Esquecem-se de que os subsídios de desemprego são pagos com o dinheiro que os próprios empregados por conta de outrém descontam todos os meses para a segurança social.

 

Há motivos para que ambas as ideias sejam muito bem encaradas por uma maioria habituada ao reflexo condicionado. Até aqui, o desemprego era uma coisa que acontecia aos outros. E que acontecia a gente de outras classes sociais, uma malta que não convidava à empatia, demasiado longe de portas.

 

Esquece-se de que se as pessoas não trabalham é por não encontrarem uma ocupação digna e compensadora. Pouco lhes importa que um pai ou uma mãe, beneficiário do RSI, com filhos pequenos, obrigado a trabalhar tenha de encontrar quem lhe tome conta das crianças gastando toda a prestação em amas, creches e transportes. Irrelevante que boa parte dos salários não supra estas necessidades básicas.

 

Há escassos anos, ainda antes da crise se ter instalado de malas e bagagem no quadro mental dos portugueses, com base num estudo da Católica, Alfredo Bruto da Costa explicava,  num Prós & Contras que a maior parte dos pobres portugueses eram pensionistas ou gente que trabalhava.

 

Afinal, não eram desocupados, como se afirma na propaganda de alguns partidos, um ponto de vista que uma ruidosa parte da opinião pública toma como verdade incosntestável, mesmo à esquerda. Um ponto de vista que manda sempre os outros trabalhar e que encontra nos nus a causa para andarem rotos.

 

Esta ideia é perversa. Se no Estado e em Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), como as misericórdias, há espaço para acolher o trabalho gratuito dos beneficiários do RSI, é apenas por existir trabalho para fazer. Se existe a necessidade de limpar matas, então é porque ninguém as tem limpado? Porque é que acabaram os concursos para cantoneiros?

 

Haverá um bom motivo para que esses lugares não estejam disponíveis para quem procura emprego? Não existe um único bom motivo do ponto de vista da gestão dos recursos humanos para encher empresas e instituições com um exército de trabalhadores contrariados e desmotivados. Não existe um único bom motivo para o fazer do ponto de vista da gestão do mercado de trabalho. Que Estado e IPSS considerem esta mão-de-obra utilizável, evidencia como, para muita gente, o ser humano se transformou numa mercadoria.

 

Não se entende por isso que tantos se insurjam quando Fernando Ulrich propõe receber nos bancos e nas grandes empresas desempregados, pagos pelo orçamento de Estado. Todo o discurso montado o legitima. Estas ideias têm um rosto. E têm quem com elas contemporize. Infelizmente, como já se disse noutro lado, há pessoal que só as percebe quando se tornam pornográficas. Ou no dias em que os afectam a si ou aos seus filhos e netos.

 


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